Por : Marcos Cesar Barbosa Dos Santos Filho
postado em 18/03/2008 em:
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Viajando com amigos,certa vez ,resolvi contar lhes historias , já era tarde da noite, éramos nove pessoas dentro de uma van em uma região totalmente desconhecida ,era carnaval em salvador . Alguns já haviam ferido os princípios da respeitada lei 9.503/97 e seu basilar artigo 306 , quando resolvir assumir a direção.A essa altura, apenas eu e um amigo ,que chamarei “canela fina de carpa ” estávamos acordados.O ambiente estava completamente sufocante.Foi quando resolvi compartilhar com ele uma passagem de minha vida que poucos conheciam , inclusive eu .
Certa vez , em minha ultima brilhante passagem pelo exercito , em missão secreta , fora abatido com cinco tiros , dos quais nenhum em órgãos vitais .essa terrível tragédia me fizera optar pela baixa da honrada infantaria antiaérea,isso mesmo,infantaria antiaérea. O assunto durou mais ou menos uma hora , quando finalmente assumir que era totalmente fictícia
Foi cômico.
Trago essa lembrança e muitas outras quando a questão e interpretação, conhecimento e aceitação da verdade ,seja ela histórica ou não .As vezes , como dizia um nefasto líder “Uma mentira dita mil vezes acaba se transformando em uma verdade”
Brilhante o artigo “o presidente saci pererê” , mas humildemente resolvir ponderar .Nosso grande autor , as vezes me parece contraditório, como vemos em historias de “tia Nastácia” e o já citado “ o presidente negro” .Na verdade não há necessidade alguma de trazer a política para o âmbito da teoria, mas meu amigo Walter foi impar ao discutir a representação do negro na obra de Monteiro Lobato, e ainda fazer a ponte entre sua obra e o principal acontecimento da política americana na atualidade (uma mulher , um negro e muita falta de amor ).
Contribuir para um conhecimento maior deste grande escritor brasileiro, pode renovar os olhares com que se olham os sempre delicados laços que enlaçam literatura e sociedade, história e literatura, literatura e política e similares binômios que tentam dar conta do que, na página literária, fica entre seu aquém e seu além ( lembrando o saudoso personagem de Chico Anisio ).
Se ele profetizou o embate de Obama , talves , mas acredito não do jeito que nossa paixão por ele esperava. Manifestação explícita do racismo de Lobato, ainda são questão incômoda, de que os estudiosos do escritor têm de dar conta ate hoje .
Procurei alguns exemplos ,aqui na obra Tia Nastácia:
Tia Nastácia, negra de estimação que carregou Lúcia em pequena ganha as primeiras atenções: ela desfruta da afetividade da matriarcal família branca para a qual trabalha e, ao mesmo tempo, apesar de suas breves mas muito significativas incursões pela sala e varanda, encontra no espaço da cozinha emblema de seu confinamento e de sua desqualificação social .
Ao longo da obra infantil lobatiana, a exceção ao carinho brincalhão que a cerca vem sempre pela boca da Emília que em momentos de discussão e desentendimento desrespeita sempre a saudosa e velha cozinheira :
Pois cá comigo - disse Emília- só aturo estas histórias como estudos da ignorância e burrice do povo. Prazer não sinto nenhum. Não são engraçadas, não têm humorismo. Parecem-me muito grosseiras e até bárbaras - coisa mesmo de negra beiçuda, como Tia Nastácia. Não gosto, não gosto, e não gosto !
- Bem se vê que é preta e beiçuda ! Não tem a menor filosofia, esta diaba. Sina é o seu nariz, sabe ? Todos os viventes têm o mesmo direito à vida, e para mim matar um carneirinho é crime ainda maior do que matar um homem. Facínora !
- Emília, Emília ! - ralhou Dona Benta.A boneca botou-lhe a língua
Similares má-criações têm servido de munição para leituras que tomam o xingamento como manifestação explícita do racismo,questão incômoda, de Lobato ( em sua época ) a Obama hoje .
terça-feira, 18 de março de 2008
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Um comentário:
Marcos,
Bacana!! Como sempre bela ponderação.
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